25 outubro 2012

Parece metáfora, mas não é.

E não é que vi um arco-íris a caminho de casa?
Além disso, tinha à minha espera o lugar à frente da minha porta.

Pois é, o Universo lá se encarrega de equilibrar as coisas. :)

Sempre que chove muito (dentro e fora), lembro-me deste poema.

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits !
Pour un coeur qui s'ennuie,
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écoeure.
Quoi ! nulle trahison ?...
Ce deuil est sans raison.

C'est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine !


Paul Verlaine

17 outubro 2012

Nas paredes de Lisboa

Adoro ir descobrindo o que existe nas paredes de Lisboa.


Ozalide ou Ouriça, a gata-maravilha

Hoje, estava eu no corredor ao lado da minha sala a falar ao telefone quando comecei a ouvir um miar aflito vindo lá de fora. Abri a porta de emergência, que se fechou atrás de mim, e comecei a descer as escadas, momento em que vi um gatinho minúsculo ao pé de um contentor do lixo. Aproximei-me, devagarinho, mas ele assustou-se e foi para dentro do motor de um carro. Fiquei ali um bocadinho a tentar persuadi-lo a sair, mas sem sucesso, e decidi chamar ajuda. Uns minutos depois, chegaram duas colegas minhas, munidas de queijo, para me ajudar. E, talvez vinte minutos depois, lá conseguimos que ele saísse de debaixo do carro, atraído pelo queijo, e consegui apanhá-lo! Depois foi uma grande festa lá em cima, tudo a fazer festinhas ao bicho, a pegar-lhe, a brincar com ele... Foi tão engraçado. Depois, andámos por ali com ele - que entretanto descobrimos (achamos nós) ser uma ela, demos-lhe vários nomes - dois dos quais estão no título - e encontrámos dona para a menina! Uma história feliz e que pôs toda a gente por ali com um sorriso nos lábios :) E acho que não fui a única a ficar perdidamente apaixonada pela gatinha... :)





A ver a ver a ver!



E eu que só percebi que era o Anthony Hopkins a meio do trailer? E por causa da voz?
Imperdível, mal posso esperar que estreie!

Dias montanha-russa



















Por norma, não gosto muito de dias montanha-russa. Em que as minhas emoções, por várias razões (uma das quais é absolutamente incontrolável - ah pois), sobem e descem e sobrem e descem e eu quase fico com náuseas. Mas hoje, dia montanha-russa, em que cheguei a casa do meu pai, para jantar, e me deitei na sala com tremeliques de espécie de gripe (derivada da vacina administrada de manhã), a cabeça pesadíssima e uma enorme vontade de dormir, acabou por ser um ótimo dia. Justamente porque me deixei ficar no sofá e passadas duas horas parecia outra, e fartámo-nos de conversar e rir sobre tudo e mais alguma coisa (pai, eu e mana) e já tinha saudades disso. Saí de lá tarde, apenas porque teve de ser, porque senão lá teria ficado, a discutir mais umas quantas coisas e a rir de tantas outras. E estes jantares, e estes momentos, sabem-me tão bem, que para trás ficou o dia montanha-russa, e mais, amanhã tenho a certeza de que se apanhar outro, seguirei a montanha-russa calmamente para onde me levar.

E agora vou mas é dormir, não tanto por ter sono, mas porque não há nada melhor do que edredon + o livro que estou a ler e que mal consigo pousar (já só quando começo a semicerrar os olhos e não consigo lembrar-me da última palavra que li...).

Boa noite / Bom dia / Boa tarde, caras pessoas!


Calças: o terror

Usei calças até aos 20, 21. A partir daí, e depois do Erasmus, altura em que engordei para aí oito quilos (sim, leram bem, oito quilos!), deixei de usar. Não me lembro se foi gradualmente, se de repente, mas nunca mais usei calças. E entretanto fui-me convencendo de que parecia uma baleia com perninhas e abri alas para os vestidos e para as saias. Há um ano, mais coisa menos coisa (porque não me lembro exatamente quando começaram as investidas), algumas colegasamigas começaram a reparar no facto de eu não usar calças, e a insistir (muito!) para que eu ultrapassasse o trauma sem sentido e enfiasse umas pelo-amor-de-deus. Uma delas até me deu um par, que usei uma ou duas vezes, e até achei que não me ficavam mal, mas sem grandes certezas, sem grandes confianças... Depois veio o verão, e com ele as saias, os vestidos, o conforto, e as calças foram engolidas pelo armário. Mas eis senão quando, há duas semanas, estou com a minha mãe e a minha irmã no Cascaishopping, antes de irmos ao cinema, e esta última decide entrar numa loja para ver... adivinharam, calças. E eu fui atrás, espreitando distraidamente, até que ela pegou numas calças pretas que eu achei giras e disse que ia experimentar. E eu olhei mais um bocadinho para elas, e depois vi umas gémeas cinzentas ao lado, e pensei «Não posso ser a única pessoa no mundo que fica mal de calças» e peguei numas pretas e numas cinzentas e lá fui eu, a medo, para o provador. Tenho noção de que estou a falar da coisa mais banal do mundo para a maioria das pessoas, mas para mim só o facto de ir com calças para o provador foi uma vitória. Mas a vitória maior foi que as calças - surpresa! - me ficavam bem. Grandes exclamações da mana e da mãe, e que bem que ficam no rabo, e que bem que ficam à frente, e que giras que são, e «vês??» e coisas que tais. E eu com um sorriso de orelha a orelha a tentar absorver a informação inédita e inacreditável «eu fico bem de calças». E lá fui eu para a caixa, com umas calças na mão (as outras a minha mãe ofereceu :)) pela primeira vez em pelo menos seis anos.
Já as usei algumas vezes e confesso que continuo a olhar constantemente para as minhas pernas (precisei de umas calças para perceber que não são tão volumosas como eu achava), e para o espelho, porque não estou habituada a ver-me assim, mas estou tão contente! Talvez o facto de ter escrito um texto gigante sobre calças consiga mostrar-vos a alegria que é eu agora ser daquelas pessoas que usam calças. E os elogios que tenho recebido só me fazem pensar no tempo e energia que perdi a fazer todas as combinações e mais algumas com as minhas saias e vestidos... Quando de repente a minha vida ficou tão mais fácil! :)
De salientar que continuarei a usar saias e vestidos porque gosto muito de ambos, mas o meu guarda-roupa ganhou sem dúvida algumas novas oportunidades! E penso que quem me conhece rejubilará com esta minha vitória :)

PS: é evidente que as perninhas que ali figuram não são as minhas. Também não exageremos. Ahaha.

10 outubro 2012


Hoje pensei que tenho saudades de estar apaixonada.

Outono

Tenho a grande vantagem de gostar de todas as estações do ano, cada uma pelas suas razões.
Gosto do outono pelas suas folhas avermelhadas (cliché mais cliché não há, eu sei), pelas primeiras chuvas (as segundas e terceiras, às vezes, dispensava), pelo princípio do frio, pelo cheiro que há no ar. Gosto de começar a usar casacos, cachecóis, botas, de me apetecer beber chá, de passar mais tempo em casa enrolada na camisola que a minha avó me fez há anos, e que cada vez está mais pingona e mais confortável.
Mas não gosto desta nova meia-estação, esta espécie de outono-verão peganhento que de manhã me faz ficar a olhar lá para fora uns bons segundos antes de decidir a minha indumentária, que ainda por cima acaba quase sempre por sair errada, porque pelos vistos não tenho grande jeito para interpretar o céu.
Serve por isso este post para pedir, por favor, ao outono que se apresente, porque eu já tenho saudades dele. Até chuva me apetece, portanto compreendem a gravidade da coisa!
Vá lá, outono, estou à tua espera.



Compras

Haverá algo melhor do que precisar de umas botas e de uns ténis e conseguir encontrar ambos no espaço de dez minutos e, juntamente com uma gola cinzenta linda de morrer, pagar apenas 31 euros? Dou-vos uma pista: não, não há. Weeeeeeeeeee