22 novembro 2012

Ler


 
 
 
 



No fim de semana passado, tive uma discussão com um grande amigo sobre as vantagens de ler livros num Kindle (ou algo do género) ou ler em papel. Uma discussão que foi, no fundo, eu irredutível na minha posição, e ele na dele. Aquilo que tentei explicar-lhe é que, para mim, o ato de ler não tem só a ver com ler. Tem a ver com o cheiro, com o som das páginas a virar, com o peso nas mãos, com a marca que escolho com cuidado. Ler, para mim, é um conjunto de sensações e de emoções que seriam quase completamente erradicadas se eu decidisse começar a ler num dispositivo eletrónico. É que nem consigo conceber tal coisa. Acredito que dê muito jeito, que seja muito prático, mas eu gosto de andar com o meu livro atrás. Gosto que, a maior parte das vezes, ele não me caiba na carteira. Gosto de escrever coisas a lápis quando necessário, gosto que as páginas fiquem encarquilhadas pelo uso. Gosto de levar o meu livro para a praia e, quando o acabo, sentir que ele já não fecha como deve ser por causa do sal, e ouvir, quando chego a casa, os grãos de areia que nele se instalaram a roçar nas páginas. O livro, para mim, é como um organismo vivo, que vive nas minhas mãos e através dos meus olhos, que vive através do uso que eu lhe dou. Este meu amigo quase me implorou para me emprestar o tal dispositivo eletrónico durante uma semana, para eu experimentar. Insistiu mil vezes, e eu mil vezes lhe disse que não, que não queria, que não concebia virar as páginas com um dedinho, que nada disso me fazia qualquer sentido. E não é por achar que vou gostar, é porque sei que não vou.

4 comentários:

Show me Pretty disse...

subscrevo cada vírgula!
e até aposto que sei quem é o amigo :)

- Rita

joana disse...

sabes, sabes :) hihi

medusa disse...

também não consigo perceber como se pode trocar um livro por uma geringonça...nãããã

joana disse...

my feelings exactly! :)